﻿{"id":505,"date":"2004-07-14T17:10:37","date_gmt":"2004-07-14T17:10:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.abrademi.com\/?p=505"},"modified":"2022-03-08T11:38:15","modified_gmt":"2022-03-08T14:38:15","slug":"o-japao-e-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/o-japao-e-pop\/","title":{"rendered":"O JAP\u00c3O \u00c9 POP"},"content":{"rendered":"<p>O pa\u00ed\u00ads deixou de ser o grande prod\u00ed\u00adgio da economia mundial, mas sua influ\u00eancia na cultura jovem cresce cada vez mais<\/p>\n<p>Carlos Graieb, de T\u00f3quio<\/p>\n<p>publicado na revista VEJA, edi\u00e7\u00e3o 1835, n\u00ba 1, ano 37, 7 de janeiro de 2004<\/p>\n<p>Durante a d\u00e9cada de 80, o Jap\u00e3o foi o grande prod\u00ed\u00adgio da economia mundial. Cresceu vertiginosamente e muitos acreditaram que o pa\u00ed\u00ads teria f\u00f4lego para superar os Estados Unidos como pot\u00eancia econ\u00f4mica. Ent\u00e3o, no come\u00e7o de 1990, a Bolsa de Valores de T\u00f3quio despencou. N\u00e3o era um trope\u00e7o passageiro, e sim o primeiro sintoma de uma crise estrutural de dimens\u00f5es gigantescas. Nos \u00faltimos treze anos, a economia japonesa se manteve estagnada e deflacion\u00e1ria, as d\u00ed\u00advidas governamentais subiram a n\u00ed\u00adveis astron\u00f4micos, o desemprego aumentou, o sistema banc\u00e1rio revelou-se em frangalhos e a previd\u00eancia social est\u00e1 \u00e0 beira do colapso. O pa\u00eds ainda possui um produto interno bruto de 4 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, o segundo maior do planeta. Mas o Jap\u00e3o perdeu contato com seus &#8220;esp\u00edritos animais&#8221;. A express\u00e3o foi cunhada pelo economista ingl\u00eas John Maynard Keynes na d\u00e9cada de 30, para designar o otimismo de um povo em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. O otimismo japon\u00eas \u00e9 baix\u00ed\u00adssimo hoje em dia. Exceto, talvez, num ponto. Segundo muitos observam, a influ\u00eancia cultural do Jap\u00e3o se expandiu na d\u00e9cada passada, e ele desponta como um criador de tend\u00eancias no universo pop, que engloba \u00c1reas t\u00e3o diversas quanto moda, anima\u00e7\u00e3o, m\u00fasica e design. O primeiro a refletir sobre o fen\u00f4meno foi o cientista pol\u00ed\u00adtico americano Douglas McGray, num ensaio de 2002, cujo t\u00ed\u00adtulo se poderia traduzir como <i>Charme Interno Bruto <\/i>(uma brincadeira com produto interno bruto). &#8220;O Jap\u00e3o&#8221;, diz McGray, &#8220;est\u00e1 reinventando o seu poder. Em vez de sucumbir ao peso de seus infort\u00fanios, ele s\u00f3 aumenta a sua presen\u00e7a cultural no mundo, e criou uma poderosa m\u00e1quina de propaga\u00e7\u00e3o do charme nacional.&#8221;A ideia foi adotada com entusiasmo por pol\u00ed\u00adticos, acad\u00eamicos e jornalistas japoneses. Alguns v\u00e3o ao ponto de anunciar uma metamorfose. \u00c9 o caso de Ichiya Nakamura, ex-burocrata de alto escal\u00e3o do Minist\u00e9rio das Telecomunica\u00e7\u00f5es e atual diretor do Stanford Japan Center, em T\u00f3quio. O Jap\u00e3o, segundo ele, estaria passando de sociedade industrial a &#8220;sociedade produtora de cultura pop&#8221;.<\/p>\n<p>Estima-se que as exporta\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es japonesas de produtos culturais girem em torno dos 13 bilh\u00c3\u00b5es de d\u00c3\u00b3lares por ano. O valor \u00c3\u00a9 modesto se comparado, digamos, ao da ind\u00c3\u00bastria automobil\u00c3\u00adstica &#8211; que fatura a mesma coisa em dias. Trata-se, no entanto, de um valor que triplicou na d\u00c3\u00a9cada passada. nenhum setor da economia japonesa pode se gabar de proeza semelhante. hist\u00c3\u00b3rias em quadrinhos, desenhos animados e videogames s\u00c3\u00a3o os pontas-de-lan\u00c3\u00a7a do pop japon\u00c3\u00aas. A grande rede Mandarake de comercializa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de mang\u00c3\u00a1s (gibis) j\u00c3\u00a1 conta com filiais nos Estados Unidos e na Europa. Os consoles PlayStation e Nintendo\u00c2\u00a0 dominam o mercado de games. Cerca de 60% dos desenhos vistos na TV mundial s\u00c3\u00a3o cria\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o japonesa. Cada um desses setores, sozinho, tem for\u00c3\u00a7a consider\u00c3\u00a1vel. E eles ainda agem em sinergia, com o perd\u00c3\u00a3o da m\u00c3\u00a1 palavra. Personagens surgidos num segmento quase sempre migram para os outros. Depois, vem o licenciamento para bugigangas. Os monstrengos Pok\u00c3\u00a9mon nasceram num videogame e foram parar na TV, no cinema, em roupas e bonequinhos. Desde seu surgimento, em 1996, a marca gerou neg\u00c3\u00b3cios globais de cerca de 30 bilh\u00c3\u00b5es de d\u00c3\u00b3lares. Mas influ\u00c3\u00aancia cultural nem sempre se traduz imediatamente em n\u00c3\u00bameros vultosos, como lembram os ide\u00c3\u00b3logos do Jap\u00c3\u00a3o Pop. Deve-se prestar aten\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o a outros ind\u00c3\u00adcios.<\/p>\n<p>Os desenhos de longa-metragem do cineasta Hayao Miyazaki, por exemplo, ainda n\u00c3\u00a3o se transformaram em campe\u00c3\u00b5es de bilheteria no Ocidente, mas Miyazaki foi premiado no Festival de Berlim e no Oscar pelo filme <i>A Viagem de Chihiro<\/i>. Neste ano, a marca francesa de acess\u00c3\u00b3rios de luxo Louis Vuitton convidou o pintor Takashi Murakami para estampar uma linha de bolsas. murakami, freq\u00c3\u00bcentemente comparado ao americano Andy Warhol e l\u00c3\u00adder do movimento Superflat, que re\u00c3\u00bane v\u00c3\u00a1rios artistas pl\u00c3\u00a1sticos, tamb\u00c3\u00a9m acaba de erguer uma escultura em frente do Rockefeller Center, em Nova York. Profissionais da moda europeus visitam T\u00c3\u00b3quio para conferir os exuberantes figurinos da garotada local, dividida em incont\u00c3\u00a1veis tribos, enquanto jovens estilistas japoneses como Jun Takahashi e Naoki Takizawa s\u00c3\u00a3o aclamados nas temporadas internacionais de desfiles. A \u00c3\u0081sia forneceria ainda mais provas de poder de atra\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o da cultura nip\u00c3\u00b4nica. Em lugares como Taiwan e Hong Kong, ouve-se a m\u00c3\u00basica de estrelas como Ayumi Hamasaki ou Utada Hikaru e assiste-se a novelas japonesas. Mal saem da gr\u00c3\u00a1fica no Jap\u00c3\u00a3o, revistas de moda e comportamento s\u00c3\u00a3o contrabandeadas para pa\u00c3\u00adses vizinhos, onde encontram um p\u00c3\u00bablico \u00c3\u00a1vido. &#8220;Os habitantes dos pa\u00c3\u00adses asi\u00c3\u00a1ticos adoram seriados como <i>Tokyo Love Story<\/i>, que despertam mais empatia do que os similares americanos. eles se sentem culturalmente pr\u00c3\u00b3ximos do Jap\u00c3\u00a3o. Esse interc\u00c3\u00a2mbio cultural n\u00c3\u00a3o d\u00c3\u00a1 sinais de arrefecer&#8221;, escreve Koichi Iwabuchi, estudioso da m\u00c3\u00addia da Universidade Cat\u00c3\u00b3lica de T\u00c3\u00b3quio.<\/p>\n<p>\u00c3\u2030 a juventude japonesa que mant\u00c3\u00a9m alimentados os &#8220;esp\u00c3\u00adritos animais&#8221; do mundo pop. No campo criativo, ela vem demonstrando uma disposi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o in\u00c3\u00a9dita para assumir riscos e desviar-se do caminho tradicional &#8211; aquele do emprego vital\u00c3\u00adcio numa grande corpora\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o. Nos \u00c3\u00baltimos anos, explodiu no Jap\u00c3\u00a3o o n\u00c3\u00bamero de bandas e selos musicais independentes. V\u00c3\u00a1rios artistas surgidos nesse ambiente obt\u00c3\u00aam vendagens superiores a 500 000 exemplares, marca que caracteriza um sucesso no pa\u00c3\u00ads. Um grupo, o Mongol 800, que mistura guitarras punk com letras no dialeto da ilha de Okinawa, vendeu 2,5 milh\u00c3\u00b5es de c\u00c3\u00b3pias de seu segundo \u00c3\u00a1lbum, <i>Message<\/i>, e teve can\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es inclu\u00c3\u00addas nas listas de karaok\u00c3\u00aa, ao lado de Madonna ou Beatles. Outro fen\u00c3\u00b4meno s\u00c3\u00a3o as bandas de nip hop (o hip hop nip\u00c3\u00b4nico). &#8220;At\u00c3\u00a9 tr\u00c3\u00aas anos atr\u00c3\u00a1s elas simplesmente imitavam os sucessos americanos, mas agora surgiu um estilo local que \u00c3\u00a9 muito mais interessante &#8211; mais mel\u00c3\u00b3dico que o hip hop negro e com letras que t\u00c3\u00aam mensagens de amor, e n\u00c3\u00a3o de viol\u00c3\u00aancia&#8221;, diz o cr\u00c3\u00adtico Atsushi Shikano, editor-chefe da revista musical <i>Rockin&#8217; on Japan<\/i>. Tamb\u00c3\u00a9m na moda, jovens estilistas como Jun Takahashi, da marca Undercover, mostram for\u00c3\u00a7a para andar com as pr\u00c3\u00b3prias pernas. A fofoca, dada como verdadeira em T\u00c3\u00b3quio, \u00c3\u00a9 que Takahashi teve seus neg\u00c3\u00b3cios bancados por um magnata do setor imobili\u00c3\u00a1rio no in\u00c3\u00adcio, mas depois rompeu esses la\u00c3\u00a7os para sustentar-se por sua conta e risco.<\/p>\n<p>Mas o exemplo mais pujante de esp\u00c3\u00adrito empreendedor vem da \u00c3\u00a1rea de anima\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o. H\u00c3\u00a1, \u00c3\u00a9 claro, algumas gigantes no ramo. O Studio Ghibli, de Hayao Miyazaki, \u00c3\u00a9 o equivalente japon\u00c3\u00aas da Disney (ali\u00c3\u00a1s, \u00c3\u00a9 a Disney que distribui seus filmes no mundo). Seu foco principal s\u00c3\u00a3o os filmes animados de longa-metragem, que arrastam multid\u00c3\u00b5es para o cinema: <i>A Viagem de Chihiro<\/i>, por exemplo, teve 23,5 milh\u00c3\u00b5es de espectadores no Jap\u00c3\u00a3o. A empresa conta, ainda, com um parque tem\u00c3\u00a1tico nos arredores de T\u00c3\u00b3quio, o Museu Ghibli. &#8220;Recebemos cerca de 600 000 pessoas por ano&#8221;, diz Goro Miyazaki, diretor do parque e filho do animador Hayao. No campo da anima\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o para a TV, o l\u00c3\u00adder \u00c3\u00a9 o est\u00c3\u00badio Toei, fundado em 1956. Ele j\u00c3\u00a1 criou mais de 150 s\u00c3\u00a9ries de sucesso, entre as quais<i> Cavaleiros do Zod\u00c3\u00adaco, Dragon Ball, Sailor Moon <\/i>e <i>Digimon<\/i>, bem conhecidas no Brasil. A cada ano, 250 novos epis\u00c3\u00b3dios novos de anima\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o saem de seus escrit\u00c3\u00b3rios. Esses gigantes, no entanto, convivem com um grande n\u00c3\u00bamero de empresas pequenas bem-sucedidas. segundo um estudo de mercado, h\u00c3\u00a1 hoje 437 est\u00c3\u00badios de anima\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o no Jap\u00c3\u00a3o, empregando 5 000 profissionais especializados. &#8220;S\u00c3\u00a3o empresas capitaneadas por seus pr\u00c3\u00b3prios criadores, e isso \u00c3\u00a9 muito peculiar no Jap\u00c3\u00a3o, terra das megacorpora\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es&#8221;, diz Ichiya Nakamura.<\/p>\n<p>Ao contr\u00c3\u00a1rio do que se pode imaginar, n\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 f\u00c3\u00a1cil conquistar o gosto dos jovens japoneses. O dinheiro mais curto fez com que eles se tornassem mais seletivos na hora de comprar discos, gibis e roupas. Em 1995, segundo uma pesquisa da r\u00c3\u00a1dio T\u00c3\u00b3quio, alunos de colegial podiam gastar, em m\u00c3\u00a9dia, o equivalente a 170 d\u00c3\u00b3lares por m\u00c3\u00aas. No fim de 2002, o valor ca\u00c3\u00adra para 70 d\u00c3\u00b3lares. O mesmo ocorreu com a turma em idade universit\u00c3\u00a1ria: seus gastos mensais passaram de 550 d\u00c3\u00b3lares para 310 d\u00c3\u00b3lares, em m\u00c3\u00a9dia. Alguns cultivaram o h\u00c3\u00a1bito de poupar &#8211; tudo o que os economistas japoneses n\u00c3\u00a3o gostariam que acontecesse. afinal, o Jap\u00c3\u00a3o se encontra preso numa &#8220;armadilha de liquidez&#8221; &#8211; situa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o em que os pre\u00c3\u00a7os n\u00c3\u00a3o param de cair, mas ainda assim empresas e consumidores n\u00c3\u00a3o se animam a gastar. Entre as gera\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es mais velhas, preocupa\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es imediatas explicam a timidez nos gastos. Planejar uma aposentadoria n\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 tarefa muito simples no Jap\u00c3\u00a3o de hoje em dia, pois uma crise previdenci\u00c3\u00a1ria est\u00c3\u00a1 no horizonte, e n\u00c3\u00a3o h\u00c3\u00a1 fontes alternativas de rendimento, gra\u00c3\u00a7as ao bizarro sistema financeiro japon\u00c3\u00aas. L\u00c3\u00a1, os juros pagos pelos bancos para dep\u00c3\u00b3sitos de pessoas normais s\u00c3\u00a3o baix\u00c3\u00adssimos. Foi a maneira que o pa\u00c3\u00ads encontrou para financiar o crescimento de suas empresas na \u00c3\u00a9poca do milagre econ\u00c3\u00b4mico: captar quase de gra\u00c3\u00a7a junto ao p\u00c3\u00bablico e emprestar quase de gra\u00c3\u00a7a para as companhias. Sem falar na enrascada em que os bancos se meteram: eles est\u00c3\u00a3o afundados em cr\u00c3\u00a9ditos podres, que jamais conseguir\u00c3\u00a3o recuperar e que tentam esconder com uma parede de sil\u00c3\u00aancio e com t\u00c3\u00a9cnicas de &#8220;contabilidade criativa&#8221;. Esse sistema criou uma situa\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o rid\u00c3\u00adcula, em que os rendimentos anuais de um poupador aposentado giram em torno dos 200 d\u00c3\u00b3lares, em m\u00c3\u00a9dia, Entre as gera\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es mais jovens, o medo do desemprego depois da formatura explica por que uma parcela da mesada vai parar debaixo do colch\u00c3\u00a3o. Dos 548 000 estudantes sa\u00c3\u00addos da universidade em 2002, apenas 312 000 conseguiram encontrar um trabalho em tempo integral.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, a juventude japonesa ainda forma uma claque esbanjadora. Ela n\u00c3\u00a3o hesita em arranjar um bico numa lanchonete quando quer comprar um novo modelo de telefone celular, um acess\u00c3\u00b3rio de grife ou o CD de sua banda favorita. A exuber\u00c3\u00a2ncia desse tipo de consumo \u00c3\u00a9 o que faz de cidades como T\u00c3\u00b3quio e Osaka grandes laborat\u00c3\u00b3rios de experimenta\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o pop, luminosas vitrines de tend\u00c3\u00aancias. &#8220;T\u00c3\u00b3quio se tornou um d\u00c3\u00adnamo do circuito fashion n\u00c3\u00a3o necessariamente pela originalidade do que se v\u00c3\u00aa nas ruas, mas pelo incr\u00c3\u00advel entusiasmo exibido pela meninada. \u00c3\u2030 para conferir essa atmosfera efervescente que profissionais de moda de todo o mundo fizeram da visita anual a T\u00c3\u00b3quio uma obriga\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o&#8221;, diz a jornalista especializada Emiko Oku. A exist\u00c3\u00aancia dessa juventude animada s\u00c3\u00b3 n\u00c3\u00a3o \u00c3\u00a9 uma not\u00c3\u00adcia melhor para os arautos do &#8220;grande imp\u00c3\u00a9rio pop japon\u00c3\u00aas&#8221;por um motivo: ela est\u00c3\u00a1 encolhendo. Enquanto a fatia de pessoas acima de 65 anos na popula\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o japonesa mais que dobrou nos \u00c3\u00baltimos trinta anos (foi a 18,5% em 2002), o n\u00c3\u00bamero de pessoas com menos de 15 anos caiu: \u00c3\u00a9, atualmente, de 14,2%, um recorde negativo. H\u00c3\u00a1 proje\u00c3\u00a7\u00c3\u00b2es que falam numa taxa de natalidade de 1,1% em 2007. Em outras palavras, o Jap\u00c3\u00a3o est\u00c3\u00a1 se tornando rapidamente o pa\u00c3\u00ads mais velho do mundo. Nesse r\u00c3\u00adtmo, por mais que os adolescentes de T\u00c3\u00b3quio gastem livremente, n\u00c3\u00a3o haver\u00c3\u00a1 uma quantidade suficiente deles para fazer a diferen\u00c3\u00a7a. Eis a\u00c3\u00ad outro quesito em que os japoneses deveriam dar r\u00c3\u00a9dea solta aos seus &#8220;esp\u00c3\u00adritos animais&#8221;.<\/p>\n<p>BOX 1 &#8211; OS &#8220;AIDORUS&#8221; DA M\u00c3\u0161SICA POP<\/p>\n<p>O Jap\u00c3\u00a3o tem a segunda maior ind\u00c3\u00bastria de m\u00c3\u00basica pop do mundo. Vem depois dos Estados Unidos, e seu volume de neg\u00c3\u00b3cios \u00c3\u00a9 estimado em 20 bilh\u00c3\u00b5es de d\u00c3\u00b3lares anuais. o fen\u00c3\u00b4meno do momento \u00c3\u00a9 a ascen\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o dos selos musicais independentes. Mas os artistas mais populares ainda pertencem \u00c3\u00a0s grandes gravadoras. O sonho dessas gravadoras \u00c3\u00a9 criar um &#8220;aidoru&#8221;. A palavra vem de &#8220;idol&#8221;, \u00c3\u00addolo em ingl\u00c3\u00aas, com pron\u00c3\u00bancia \u00c3\u00a0 moda nip\u00c3\u00b4nica. Ningu\u00c3\u00a9m define melhor o conceito do que a cantora Ayumi Hamasaki, de 25 anos. \u00c3\u2030 imposs\u00c3\u00advel visitar T\u00c3\u00b3quio sem tomar conhecimento de sua exist\u00c3\u00aancia. Ela j\u00c3\u00a1 vendeu perto de 35 milh\u00c3\u00b5es de discos, e seus hits n\u00c3\u00a3o saem das r\u00c3\u00a1dios. Al\u00c3\u00a9m disso, a cantora \u00c3\u00a9 presen\u00c3\u00a7a constante na TV e seu rosto est\u00c3\u00a1 estampado em campanhas publicit\u00c3\u00a1rias. As adolescentes imitam sua maneira de vestir-se &#8211; o chamado &#8220;Ayu style&#8221;. Meses atr\u00c3\u00a1s, Ayumi adotou o h\u00c3\u00a1bito de usar grandes \u00c3\u00b3culos de sol no estilo dos anos 70 e criou uma febre em torno desse acess\u00c3\u00b3rio. Musicalmente, \u00c3\u00a9 uma esp\u00c3\u00a9cie de Britney Spears bem-comportada. Ela mesma comp\u00c3\u00b5e suas can\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es, que falam de amor e liberdade. O auge de um aidoru costuma durar dois anos. Ayumi vem suportando a superexposi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o h\u00c3\u00a1 quatro. &#8220;Nas paradas, ela at\u00c3\u00a9 enfrenta uma rival de peso, Utada Hikaru. Mas ainda n\u00c3\u00a3o surgiu um nome com a mesma influ\u00c3\u00aancia no comportamento dos f\u00c3\u00a3s&#8221;, diz o cr\u00c3\u00adtico Atsushi Shikano.<\/p>\n<p>BOX 2 &#8211; CONSUMIDORES JOVENS AGORA BUSCAM A SIMPLICIDADE<\/p>\n<p>Depois de mais de uma d\u00c3\u00a9cada de recess\u00c3\u00a3o, os h\u00c3\u00a1bitos de consumo da juventude japonesa est\u00c3\u00a3o mudando. V\u00c3\u00a1rios institutos de pesquisa trabalham para detectar a dire\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o dos ventos. O Centro de Estudos do Consumidor da Dentsu &#8211; uma gigante da propaganda mundial &#8211; produziu um relat\u00c3\u00b3rio sobre os produtos sup\u00c3\u00a9rfluos que mais atra\u00c3\u00adram a aten\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o dos jovens de 2002. &#8220;Produtos que permitiram \u00c3\u00a0s pessoas experimentar um modesto desvio da rotina tornaram-se hit&#8221;, diz o documento. Os produtos foram agrupados em quatro esferas. Na primeira, aqueles que favorecem a individualidade: minim\u00c3\u00a1quinas de lavar para lingerie e cadeiras de massagem entraram nessa categoria. A segunda \u00c3\u00a9 a dos produtos que &#8220;respondem ao desejo de estar com os outros&#8221;, como videofones e tintura de cabelo loiro (que se tornou um jeito de se misturar \u00c3\u00a0 massa). Na terceira esfera, os produtos que remetem a uma vida mais simples. Um livro fez sucesso nesse dom\u00c3\u00adnio: <i>Se o Mundo Fosse uma Vila de 100 Pessoas<\/i>. Na \u00c3\u00baltima esfera encontram-se refer\u00c3\u00aancias \u00c3\u00a0 tradi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o. Ch\u00c3\u00a1 verde gelado e bolinhos de arroz substitu\u00c3\u00adram a junk food para muitos jovens, que tamb\u00c3\u00a9m procuraram reimpress\u00c3\u00b5es de gibis dos anos 60. Quanto ao fasc\u00c3\u00adnio dos japoneses por grifes estrangeiras, ele ainda existe. Mas seus maiores f\u00c3\u00a3s seriam pessoas na faixa dos 30 anos, que viveram o boom econ\u00c3\u00b4mico.<\/p>\n<p>BOX 3 &#8211; O SUCESSOR DE ISSEY MIYAKE<\/p>\n<p>Nos anos 80, estilistas como Yohji Yamamoto e Issey Miyake puseram o Jap\u00c3\u00a3o no mapa da moda. Agora, uma segunda gera\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o de designers come\u00c3\u00a7a a se firmar. S\u00c3\u00a3o nomes como Nigo, da marca de streetwear A Bathing Ape, Jun Takahashi, da grife Undercover, e Naoki Takizawa &#8211; que desde 1999 dirige as cole\u00c3\u00a7\u00c3\u00b5es da marca Issey Miyake, al\u00c3\u00a9m de ter aberto uma loja de roupa jovem com seu pr\u00c3\u00b3prio nome num badalado centro comercial de T\u00c3\u00b3quio, o Roppongi Hills. Aos 43 anos, Takizawa acredita que a moda precisa se comunicar com o restante da cultura. J\u00c3\u00a1 colaborou com o core\u00c3\u00b3grafo William Forsythe, do Bal\u00c3\u00a9 de Frankfurt, e com o time de Takashi Murakami, estrela da arte pop japonesa. Ele pr\u00c3\u00b3prio \u00c3\u00a9 artista pl\u00c3\u00a1stico e concebeu recentemente uma instal\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o sobre os \u00c3\u00adndios ianom\u00c3\u00a2mis. &#8220;A tecnologia \u00c3\u00a9 muito importante para mim&#8221;, disse Takizawa a VEJA. &#8220;No Ocidente, os fabricantes de tecidos apresentam seus produtos aos estilistas, que criam a partir dali. Aqui, n\u00c3\u00b3s mesmos desenvolvemos os nossos&#8221;. Em sua \u00c3\u00baltima cole\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o, Takizawa explorou uma fibra fin\u00c3\u00adssima para criar mimetismos entre pele e roupa. Takizawa tamb\u00c3\u00a9m fez vers\u00c3\u00b5es de &#8220;roupas de um futuro pr\u00c3\u00b3ximo&#8221;, com sapatos que se prolongam em cal\u00c3\u00a7as, macac\u00c3\u00b5es e uniformes. O estilista diz que se inspira nos jovens de T\u00c3\u00b3quio. &#8220;\u00c3\u20acs vezes eles parecem estar \u00c3\u00a0 nossa frente&#8221;.<\/p>\n<p>BOX 4 &#8211; PALAVRA FAVORITA: &#8220;LIBERDADE&#8221;<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada por um grande jornal anos atr\u00c3\u00a1s, revelou que as palavras preferidas da popula\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o japonesa em geral eram &#8220;paci\u00c3\u00aancia&#8221;, &#8220;harmonia&#8221; e &#8220;concord\u00c3\u00a2ncia&#8221;. Em suas raras entrevistas, o romancista Haruki Murakami, de 54 anos, nunca deixa de mencionar que sua palavra favorita \u00c3\u00a9 &#8220;liberdade&#8221;. Esse \u00c3\u00a9 um dos motivos de sua enorme popularidade entre jovens e adolescentes. Os livros de Murakami t\u00c3\u00aam como protagonistas pessoas na faixa dos 20 ou 30 anos que enfrentam crises existenciais. J\u00c3\u00a1 houve quem os descrevesse como niilistas, mas Murakami discorda. &#8220;Eles s\u00c3\u00a3o apenas pessoas desconfort\u00c3\u00a1veis com sua posi\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o na sociedade&#8221;, disse ele a VEJA. Murakami n\u00c3\u00a3o se filia a nenhum grupo liter\u00c3\u00a1rio e evita at\u00c3\u00a9 mesmo conhecer precursores. &#8220;Nunca li um livro inteiro de Mishima&#8221;, diz ele, referindo-se a um dos maiores \u00c3\u00adcones da fic\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o japonesa moderna. Quando despontou na literatura, nos anos 80, muitos qualificaram sua linguagem como influenciada em demasia pelo ingl\u00c3\u00aas. Hoje seu estilo \u00c3\u00a9 reconhecido pela cr\u00c3\u00adtica, que tamb\u00c3\u00a9m o elogiou por voltar-se para quest\u00c3\u00b5es da hist\u00c3\u00b3ria e da sociedade japonesa. Haruki Murakami j\u00c3\u00a1 vendeu 20 milh\u00c3\u00b5es de livros no Jap\u00c3\u00a3o e cerca de 3,8 milh\u00c3\u00b5es no resto do mundo (ele \u00c3\u00a9 cada vez mais popular na \u00c3\u0081sia). <i>Ca\u00c3\u00a7ando Carneiros <\/i>e <i>Minha Querida Sputnik <\/i>s\u00c3\u00a3o suas obras publicadas no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pa\u00ed\u00ads deixou de ser o grande prod\u00ed\u00adgio da economia mundial, mas sua influ\u00eancia na<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true},"categories":[5],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p4elUM-89","jetpack-related-posts":[{"id":2954,"url":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/os-grandes-desastres-naturais-que-marcaram-o-japao-palestras\/","url_meta":{"origin":505,"position":0},"title":"Os grandes desastres naturais que marcaram o Jap\u00e3o \u2013 palestras","date":"10 de setembro de 2023","format":false,"excerpt":"O Jap\u00e3o tem 55 vulc\u00f5es ativos, quase 30 furac\u00f5es\u00a0e cerca de 1500 terremotos por ano, tsunamis e inunda\u00e7\u00f5es. 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