﻿{"id":71,"date":"2012-12-07T22:16:58","date_gmt":"2012-12-07T22:16:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.abrademi.com\/?page_id=71"},"modified":"2022-03-04T12:10:23","modified_gmt":"2022-03-04T15:10:23","slug":"historia-do-manga-antes-da-ii-guerra","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/historia-do-manga-antes-da-ii-guerra\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria do mang\u00e1 antes da II Guerra"},"content":{"rendered":"<p>Passada a II Guerra Mundial, os imigrantes japoneses, cuja fixa\u00e7\u00e3o em terras brasileiras se deu a partir de 1908, respiraram aliviados. Durante o per\u00edodo de conflito, a simples reuni\u00e3o de japoneses fora proibida, al\u00e9m de serem proibidos os livros e jornais em idioma japon\u00eas. As escolas de idioma japon\u00eas foram fechadas (havia 294 escolas fundadas por japoneses s\u00f3 no Estado de S\u00e3o Paulo) e muitas resid\u00eancias foram revistadas a fim de se apreender quaisquer materiais subversivos, ou seja, qualquer coisa em idioma japon\u00eas, de cadernos a livros para crian\u00e7as e tamb\u00e9m aparelhos de r\u00e1dio. Na foto abaixo, uma livraria japonesa em 1939.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/manga_livraria_japonesa1939.jpg?ssl=1\"><img data-attachment-id=\"72\" data-permalink=\"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/historia-do-manga-antes-da-ii-guerra\/manga_livraria_japonesa1939\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/manga_livraria_japonesa1939.jpg?fit=350%2C272&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"350,272\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"manga_livraria_japonesa1939\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/manga_livraria_japonesa1939.jpg?fit=300%2C233&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/manga_livraria_japonesa1939.jpg?fit=350%2C272&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-72\" title=\"manga_livraria_japonesa1939\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/manga_livraria_japonesa1939.jpg?resize=350%2C272&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/manga_livraria_japonesa1939.jpg?w=350&amp;ssl=1 350w, https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/manga_livraria_japonesa1939.jpg?resize=300%2C233&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>Assim, sem meios de comunica\u00e7\u00e3o, a not\u00edcia da rendi\u00e7\u00e3o japonesa, ocorrida em agosto de 1945, demorou a chegar nas casas de imigrantes, principalmente nas mais afastadas. Houve at\u00e9 conflitos armados desencadeados por grupos que n\u00e3o aceitavam a derrota de seu pa\u00eds. Mas, gradativamente, a situa\u00e7\u00e3o foi se normalizando, as escolas come\u00e7aram a aparecer e os jornais em idioma japon\u00eas come\u00e7aram a circular novamente. Os japoneses se deram conta de que agora n\u00e3o poderiam mais retornar ao seu pa\u00eds, que fora completamente arrasado. At\u00e9 ent\u00e3o, todas as fam\u00edlias acalentavam o sonho de retornar com uma mala cheia de dinheiro ao Jap\u00e3o. Por isso, havia grande preocupa\u00e7\u00e3o em proporcionar estudo do idioma japon\u00eas a seus filhos, para que pudessem continuar os estudos e residir no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa mudan\u00e7a de pensamento fez com que muitas fam\u00edlias adquirissem terras, n\u00e3o mais para uso tempor\u00e1rio, e sim para fixar resid\u00eancia. E passam a se preocupar em mandar seus filhos para cidades maiores para continuar os estudos no Brasil. A partir de 1949 retornam as viagens de navio ao Jap\u00e3o, mas a rela\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica entre os dois pa\u00edses s\u00f3 \u00e9 restabelecida em 28 de abril de 1952. Nessa \u00c9poca, os imigrantes e seus descendentes se comunicavam em japon\u00eas e liam livros e revistas trazidas do Jap\u00e3o. Algumas empresas se especializaram em trazer do Jap\u00e3o os livros, as revistas, os discos e materiais para a pr\u00e1tica de esportes como o beisebol e o kend\u00f4. Caso da Taiyodo (Casa Sol) e da Casa Ono, que continuam ativos. Quando as revistas de mang\u00e1come\u00e7aram a circular no Jap\u00e3o, imediatamente foram trazidas ao Brasil. Vale lembrar que a revista Shonen Club, da editora Kodansha, come\u00e7ou a circular em 1914. S\u00d3 que nessa \u00c9poca boa parte da revista era formada por contos e Hist\u00f3rias ilustradas para crian\u00e7as e jovens. Os mang\u00e1s entraram mais tarde em suas p\u00e1ginas, principalmente depois da 2\u00aa Guerra, seguindo o estilo criado por Osamu Tezuka, considerado o Deus do mang\u00e1.<\/p>\n<h3><strong>D\u00c9CADA DE 50 EM DIANTE<\/strong><\/h3>\n<p>A facilidade de leitura fez com que os mang\u00e1s fossem plenamente aceitos pela coletividade nipo-brasileira. As revistas de mang\u00e1 destinadas a crian\u00e7as v\u00eam com o furigana, que S\u00e3o as letras miudinhas ao lado do kanji, para facilitar a leitura do ideograma. Assim, n\u00e3o era preciso saber muito da escrita para se ler o mang\u00e1. Por\u00e9m, muitos professores e pais n\u00e3o gostavam que as crian\u00e7as apreciassem o mang\u00e1, pois acreditavam que seriam prejudicadas no aprendizado do idioma correto.<\/p>\n<p>Os mang\u00e1s se tornaram mais atraentes nas d\u00e9cadas de 60 e 70, com o surgimento de revistas semanais com Hist\u00f3rias continuadas de mang\u00e1. Ainda circulavam os t\u00edtulos antigos, mensais, agora mais recheados de mang\u00e1, mas prevaleciam os t\u00edtulos semanais. Circulavam nessa \u00e9poca: Shonen Club, Shonen Magazine, Margareth, Shojo Friend, Shonen Jump, Shonen King, Ribon, Shonen Sunday, Shonen, Bouken-ou, Shonen Gahou, Bokura, Boys Life, Shougaku Ichinen, ninen, sannen, etc.<\/p>\n<p>Nessa \u00c9poca, muitos pais compravam os mang\u00e1s para seus filhos, pois essa leitura permitia o aprendizado agrad\u00e1vel do idioma. Vale lembrar que esses descendentes de segunda ou terceira gera\u00e7\u00e3o estudavam normalmente em escolas comuns e estavam perdendo o contato com o pa\u00eds de seus av\u00f3s.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o havia mang\u00e1 traduzido para o portugu\u00eas, esses leitores sabiam falar e ler o japon\u00eas, mesmo que seja s\u00f3 o furigana, a forma simplificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img data-attachment-id=\"2580\" data-permalink=\"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/historia-do-manga-antes-da-ii-guerra\/os-pioneiros-do-manga-no-brasil1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/os-pioneiros-do-manga-no-brasil1.jpg?fit=500%2C387&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"500,387\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"os pioneiros do manga no brasil1\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/os-pioneiros-do-manga-no-brasil1.jpg?fit=300%2C232&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/os-pioneiros-do-manga-no-brasil1.jpg?fit=500%2C387&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignright  wp-image-2580\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/os-pioneiros-do-manga-no-brasil1.jpg?resize=316%2C244&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"316\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/os-pioneiros-do-manga-no-brasil1.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/os-pioneiros-do-manga-no-brasil1.jpg?resize=300%2C232&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 316px) 100vw, 316px\" data-recalc-dims=\"1\" \/>J\u00e1 no final da d\u00e9cada de 50 come\u00e7aram a surgir os primeiros desenhistas de quadrinhos, notadamente influenciados pelo mang\u00e1. Apesar da influ\u00eancia inicial, logo perceberam que n\u00e3o havia espa\u00e7o para esse tipo de tra\u00e7o e tiveram que se aprimorar num estilo mais pr\u00f3ximo do americano. \u00c9 o caso do Julio Shimamoto e do Minami Keizi. Shimamoto atuou muito tempo como diretor de arte na publicidade, mas atualmente se dedica aos quadrinhos. Minami, autor de Tup\u00e3zinho, fundou a Editora Edrel na d\u00e9cada de 60 e foi respons\u00e1vel pelos primeiros mang\u00e1s desenhados no Brasil. V\u00e1rios artistas nikkeis (descendentes de japoneses) foram lan\u00e7ados pela Edrel, caso de Cl\u00e1udio Seto (ilustra\u00e7\u00e3o ao lado de \u201cO Samurai\u201d), Paulo e Roberto Fukue, Fernando Ikoma, Kimil Shimizu, entre outros. Com o fechamento da Edrel em meados da d\u00e9cada de 70, parte desses profissionais foi parar nos Est\u00fadios Disney (Abril) e na Maur\u00edcio de Sousa Produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img data-attachment-id=\"2581\" data-permalink=\"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/historia-do-manga-antes-da-ii-guerra\/grafipar-neuros-e70df2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/grafipar-neuros-e70df2.jpg?fit=864%2C1251&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"864,1251\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"grafipar neuros e70df2\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/grafipar-neuros-e70df2.jpg?fit=207%2C300&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/grafipar-neuros-e70df2.jpg?fit=640%2C927&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2581 alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/grafipar-neuros-e70df2-707x1024.jpg?resize=217%2C314&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"314\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/grafipar-neuros-e70df2.jpg?resize=707%2C1024&amp;ssl=1 707w, https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/grafipar-neuros-e70df2.jpg?resize=207%2C300&amp;ssl=1 207w, https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/grafipar-neuros-e70df2.jpg?w=864&amp;ssl=1 864w\" sizes=\"(max-width: 217px) 100vw, 217px\" data-recalc-dims=\"1\" \/>No final dessa d\u00e9cada, aproveitando uma brecha da censura do governo militar, a editora Grafipar de Curitiba, liderada por Cl\u00e1udio Seto, passa a editar revistas em quadrinhos com leve tempero er\u00f3tico. Na \u00c9poca n\u00e3o havia v\u00eddeos e revistas com mulheres nuas eram proibidas, o que explica o relativo sucesso dos lan\u00e7amentos que se seguiram. Eros (mais tarde Quadrinhos Er\u00f3ticos), Neuros e Fargo S\u00e3o alguns dos t\u00edtulos da Grafipar. Com a abertura pol\u00edtica, as publica\u00e7\u00f5es anteriormente proibidas come\u00e7aram a circular, e o erotismo leve desenhado acabou perdendo espa\u00e7o em menos de uma d\u00e9cada. Apesar do breve per\u00edodo de exist\u00eancia, o grande m\u00e9rito da Grafipar foi propiciar o surgimento de novos desenhistas e o retorno de alguns veteranos que haviam abandonado a atividade.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">COMO A ABRADEMI SE ENCAIXA NESSE CONTEXTO<\/h3>\n<p>Em 1979, Francisco Noriyuki Sato, estudante de publicidade da Universidade de S\u00e3o Paulo, editava um pequeno jornal chamado Jornal Nissei para a Modern Japan, empresa que promovia bailes para a comunidade nikkei no sal\u00e3o da Casa de Portugal, na avenida Liberdade, em S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m desse ve\u00edculo, Noriyuki era colaborador do jornal S\u00e3o Paulo Shimbun, e atuava tamb\u00e9m como roteirista de quadrinhos da Grafipar.<\/p>\n<p>Como rotina de seu trabalho para o Jornal Nissei estava a pesquisa de eventos organizados pela comunidade nipo-brasileira em S\u00e3o Paulo. Numa das muitas visitas ao Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa) no bairro da Liberdade, constatou que l\u00e1 n\u00e3o havia nenhuma atividade para o p\u00fablico mais jovem, excetuando um curso de pintura para crian\u00e7as que era ministrado durante as f\u00e9rias de janeiro. E como o seu pequeno jornal tinha como foco o p\u00fablico bem jovem, era importante que houvesse eventos para esse leitor. Assim, Noriyuki resolveu procurar o secret\u00e1rio geral da entidade para perguntar se n\u00e3o pretendia organizar atividades para jovens.<\/p>\n<p>O economista Hiroshi Banno, secret\u00e1rio geral do Bunkyo na \u00e9poca, atendeu-o em seu escrit\u00f3rio localizado na Rua Bar\u00e3o de Itapetininga, e pediu uma sugest\u00e3o do que poderia ser realizado na entidade. Noriyuki disse que poderia, por exemplo, ser organizada uma exposi\u00e7\u00e3o de quadrinhos. Banno ficou em d\u00favida pois tinha receio de n\u00e3o conseguir reunir os trabalhos de v\u00e1rios artistas para isso. Foi ent\u00e3o que Noriyuki se comprometeu a levar os pr\u00f3prios desenhistas para uma nova reuni\u00e3o. E nessa reuni\u00e3o participaram os desenhistas e os ex-desenhistas da Disney, como Paulo Fukue, Michio Yamashita, Jorge Kato, Roberto Higa, Sergio Hamasaki (que convidou a maioria dos desenhistas da Disney) e Kimil Shimizu, al\u00e9m de outros da Grafipar, como o Roberto Kussumoto e Ata\u00edde Braz (roteirista), e a professora do departamento de editora\u00e7\u00e3o da USP, Sonia Luyten.<\/p>\n<p>Convencido da concretiza\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o, Hiroshi Banno imediatamente constituiu uma comiss\u00e3o de quadrinhos e ilustra\u00e7\u00f5es, da qual, Banno, representando a entidade, se tornou presidente, e Francisco Noriyuki Sato ficou sendo o vice-presidente. A 1\u00aa exposi\u00e7\u00e3o foi marcada para fevereiro de 1980, juntamente com a exposi\u00e7\u00e3o dos alunos do curso de pintura de f\u00e9rias do Bunkyo, cujos professores eram os reconhecidos artistas pl\u00e1sticos, Ken-ichi Hirota e Kenichi Kaneko (tamb\u00e9m ator). Houve apoio da m\u00eddia (a TV Cultura levou sua equipe para fazer cobertura do evento, e n\u00e3o era comum aparecerem eventos &#8220;de japoneses&#8221; na m\u00eddia na \u00e9poca) e a exposi\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou sucesso, conseguindo levar um bom p\u00fablico infanto-juvenil que n\u00e3o costumava frequentar a entidade.<\/p>\n<p>Noriyuki sempre acreditou que era preciso organizar exposi\u00e7\u00f5es para que o pessoal da \u00e1rea de HQ pudesse se reunir, e nessas ocasi\u00f5es poderiam surgir boas ideias. Na Grafipar, que ficava em Curitiba, os roteiristas como o Noriyuki enviavam os textos pelo correio para o editor Cl\u00e1udio Seto. E o Seto reenviava aquele texto para os desenhistas mais apropriados para aquele assunto. Assim, roteiristas e desenhistas trabalhavam juntos, mas n\u00e3o se conheciam. Noriyuki havia participado da revista Quadreca da USP, editada pela profa. Sonia Luyten, mas n\u00e3o a conhecia. Foi na Exposi\u00e7\u00e3o de Quadrinhos realizada no Sesc Interlagos em janeiro de 1978 que a conheceu. Ali\u00e1s, naquele evento acabou conhecendo o pessoal jovem da HQ como o Jal, Franco de Rosa, Ata\u00edde Braz, Roberto Kussumoto e a turma que fazia fanzine de quadrinhos nas faculdades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/historia_bunkyo.jpg?ssl=1\"><img data-attachment-id=\"74\" data-permalink=\"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/historia-do-manga-antes-da-ii-guerra\/historia_bunkyo\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/historia_bunkyo.jpg?fit=250%2C185&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"250,185\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"historia_bunkyo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/historia_bunkyo.jpg?fit=250%2C185&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/historia_bunkyo.jpg?fit=250%2C185&amp;ssl=1\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-74\" title=\"historia_bunkyo\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abrademi.com\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/historia_bunkyo.jpg?resize=250%2C185&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"185\" data-recalc-dims=\"1\" \/><\/a>Em 1981 e 1982 foram realizadas novas exposi\u00e7\u00f5es no Bunkyo, descobrindo novos talentos e principalmente criando amizade entre os participantes. Descobriu-se que havia muitos amadores que desenhavam no estilo mang\u00e1, mas n\u00e3o tinha onde apresentar seus trabalhos.<br \/>\nFoto de 1981. A partir da esquerda: Roberto Kussumoto, Hiroshi Banno, Francisco Noriyuki Sato e Michio Yamashita na abertura da Exposi\u00e7\u00e3o no Bunkyo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1983, a exposi\u00e7\u00e3o foi marcada para julho e seria independente da exposi\u00e7\u00e3o de pintura das crian\u00e7as, pois se provou que o sagu\u00e3o do audit\u00f3rio principal n\u00e3o comportava essas duas exposi\u00e7\u00f5es. Alguns meses antes da data marcada, por\u00e9m, a exposi\u00e7\u00e3o foi desmarcada sem nenhum aviso pelo gerente da entidade, que alugou o espa\u00e7o para a empresa Yakult. Ao ser questionado do porqu\u00ea do cancelamento de um evento marcado com um ano de anteced\u00eancia, veio a resposta, curta e grossa: &#8220;voc\u00eas n\u00e3o pagam aluguel&#8221;. Revoltados com o fato, uma vez que a exposi\u00e7\u00e3o de quadrinhos era um evento oficial da pr\u00f3pria entidade, e que n\u00e3o causava nenhum gasto para a entidade, pois os trabalhos eram trazidos, montados e expostos pela pr\u00f3pria comiss\u00e3o organizadora, Noriyuki e Naomy Kuroda, membros da comiss\u00e3o, foram falar com o presidente do Bunkyo, Masuichi Omi. Na \u00e9poca, Hiroshi Banno n\u00e3o fazia mais parte daquela entidade e cabia ao Noriyuki resolver essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na reuni\u00e3o com Masuichi Omi em sua resid\u00eancia, a dupla ouviu palavras de apoio \u00e0 iniciativa, por\u00e9m, o presidente disse-lhes que n\u00e3o poderia fazer nada para resolver essa quest\u00e3o das datas para a exposi\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o sabia do que havia ocorrido, por\u00e9m, lembrou que na loca\u00e7\u00e3o com uma empresa havia um contrato e esse teria que ser respeitado. Ao inv\u00e9s disso, sugeriu que se fundasse uma associa\u00e7\u00e3o, e que essa entidade assinasse um contrato com o Bunkyo, ficando as futuras exposi\u00e7\u00f5es asseguradas na data escolhida. Com muita sabedoria, Omi alegou que uma associa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ficar apenas fazendo uma exposi\u00e7\u00e3o por ano. Deveria sim, realizar palestras, cursos e outras atividades pertinentes \u00e0 \u00e1rea, e para isso, disponibilizou uma sala de reuni\u00e3o do Bunkyo em datas sem utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia foi aceita e os remanescentes da antiga comiss\u00e3o de quadrinhos e ilustra\u00e7\u00f5es do Bunkyo passaram a se reunir para fundar a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Mang\u00e1 e Ilustra\u00e7\u00f5es &#8211; Abrademi. Da primeira comiss\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o restavam Roberto Higa, Michio Yamashita, Sonia Luyten, Roberto Kussumoto, Noriyuki Sato, Ata\u00edde Braz e Nelson Yoshimura, sendo fortalecida por jovens que vieram com as exposi\u00e7\u00f5es: Naomy Kuroda e Nelson Kurokawa, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a efetiva\u00e7\u00e3o da nova entidade, entretanto, nem tudo foram flores. Na \u00e9poca, poucas pessoas conheciam o mang\u00e1, e uma entidade cultural com um tema t\u00e3o espec\u00edfico e ex\u00f3tico, n\u00e3o poderia ser levada a s\u00e9rio. Assim, foi sugerida uma fus\u00e3o com a Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos de Mang\u00e1, um grupo informal da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes da USP, idealizada pela professora Sonia Luyten, que se propunha a estudar mang\u00e1 na Universidade de S\u00e3o Paulo. Na verdade, era um grupo muito pequeno, formado por poucos alunos do curso de editora\u00e7\u00e3o daquele semestre, que resolveram fazer um pioneiro estudo sobre o mang\u00e1 como tema dentro da atividade acad\u00eamica, no momento em que a pr\u00f3pria professora Sonia Luyten ainda n\u00e3o tinha se especializado no assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desse grupo, al\u00e9m da profa. Sonia, que j\u00e1 fazia parte da comiss\u00e3o que deu origem a Abrademi, veio a Sumire Misawa. A Abrademi foi oficialmente fundada no dia 3 de fevereiro de 1984, discutindo-se os objetivos da entidade e criando o seu nome, que foi sugerido pela Sonia. Entretanto, a primeira reuni\u00e3o importante com a divis\u00e3o de cargos da Abrademi, aconteceu no dia 1\u00ba de abril. O grupo se reuniu na biblioteca do Bunkyo e foi expulso sob alega\u00e7\u00e3o de atrapalhar a concentra\u00e7\u00e3o dos frequentadores da biblioteca, e a reuni\u00e3o foi conclu\u00edda no corredor do subsolo. Algumas pessoas novas que vieram participar, quando viram a precariedade da nova entidade que estava surgindo, desistiram e nunca mais voltaram.<\/p>\n<p>O presidente do Bunkyo, Masuichi Omi, deu a sugest\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o da Abrademi, mas os funcion\u00e1rios e colaboradores daquela entidade procuraram desprezar a Abrademi, que \u00e0quela altura j\u00e1 se preocupava com a continuidade dessas entidades no futuro. Seria importante haver outras entidades como a Abrademi para criar nos jovens uma liga\u00e7\u00e3o com a cultura japonesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(<a href=\"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/a-fundacao-da-abrademi-associacao-de-manga\/\">continua..<\/a>.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao utilizar este texto, favor citar a fonte:<br \/>\nwww.abrademi.com &#8211; autor: Francisco Noriyuki Sato,\u00c2\u00a0presidente da Abrademi de1984 a 1986 e de1988 a 1996.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passada a II Guerra Mundial, os imigrantes japoneses, cuja fixa\u00e7\u00e3o em terras brasileiras se deu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"spay_email":""},"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/P4elUM-19","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/71"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/71\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2582,"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/71\/revisions\/2582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}