﻿{"id":515,"date":"2012-12-12T21:17:03","date_gmt":"2012-12-12T21:17:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.abrademi.com\/?page_id=515"},"modified":"2022-03-04T11:02:23","modified_gmt":"2022-03-04T14:02:23","slug":"o-manga-e-o-papel-da-abrademi","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/o-manga-e-o-papel-da-abrademi\/","title":{"rendered":"O mang\u00e1 e o papel da Abrademi"},"content":{"rendered":"<p>A Abrademi (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Desenhistas de Mang\u00e1 e Ilustra\u00e7\u00f5es), fundada em fevereiro de 1984, foi a primeira associa\u00e7\u00e3o desse g\u00eanero do Brasil. Hoje, devem existir no pa\u00eds quinhentos grupos atuantes de mang\u00e1, se consideramos pequenos grupos que se re\u00fanem s\u00f3 para fazer fanzine. At\u00e9 hoje, a Abrademi deve ser a \u00fanica institui\u00e7\u00e3o legalizada, registrada e com estatuto pr\u00f3prio, ou seja, estruturada para continuar seu trabalho por muito mais tempo.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca de sua funda\u00e7\u00e3o, j\u00e1 existiam grupos de admiradores de mang\u00e1 em S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos, na It\u00e1lia e na Fran\u00e7a, al\u00e9m dos pa\u00edses do Oriente, mais pr\u00f3ximos do Jap\u00e3o e, portanto, mais influenciados cultural e comercialmente.<br \/>\nHoje existem muito mais grupos no mundo inteiro. No Abrademi Contest, concurso de desenho de mang\u00e1 promovido pela Abrademi e realizado em 1999, conseguimos divulga\u00e7\u00e3o em uma revista da Alemanha e tivemos mais participantes da Alemanha do que do Estado de S\u00e3o Paulo inteiro. Apesar da pequena divulga\u00e7\u00e3o l\u00e1 fora, recebemos trabalhos da Fran\u00e7a, Inglaterra, It\u00e1lia, Estados Unidos, Espanha, Portugal, \u00e1ustria, Pol\u00f4nia, R\u00fassia, Su\u00e9cia, Panam\u00e1, Jap\u00e3o, Coreia e pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Com o aumento do n\u00famero de pessoas produzindo mang\u00e1, surgiram v\u00e1rios grupos de mang\u00e1. Por isso, efetivamente existem hoje milhares de grupos de mang\u00e1 fora do Jap\u00e3o. No entanto, mesmo no Jap\u00e3o, os grupos de mang\u00e1 n\u00e3o costumam durar mais que cinco anos. O motivo \u00e9 bem simples. No Jap\u00e3o, se o objetivo do grupo era desenhar mang\u00e1 como passatempo, com o ingresso de seus membros no concorrido mercado de trabalho, independentemente da \u00e1rea profissional, o tempo destinado a desenhar ou apreciar o mang\u00e1 diminui. \u00c9 prov\u00e1vel que eles continuem lendo o mang\u00e1, mas n\u00e3o ter\u00e3o tempo para se reunirem como antes. E se o objetivo era se tornar um profissional de mang\u00e1, quando alcan\u00e7ado, o grupo n\u00e3o ser\u00e1 mais importante.<br \/>\nEm outros pa\u00edses a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 parecida. Como \u00e9 imposs\u00edvel viver exclusivamente do mang\u00e1, o grupo se dispersa com o passar do tempo.<\/p>\n<p>No Brasil, diante das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e da dificuldade de encontrar um emprego, quando um grupo resolve fazer um fanzine, j\u00e1 h\u00e1 algu\u00e9m interessado em trabalhar profissionalmente com o mang\u00e1. Essa expectativa se frustra e o grupo se dissolve. S\u00f3 continuam lidando com o mang\u00e1 aquelas pessoas que encontram algum meio de sobreviver dentro do mang\u00e1, seja trabalhando como diagramador em uma editora ou abrindo uma lojinha de fitas piratas. De qualquer forma, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar que essas pessoas estejam apreciando o mang\u00e1 como cultura.<\/p>\n<p>Devemos lembrar que nem todo o mang\u00e1 significa cultura japonesa, assim como nem toda m\u00fasica produzida no Brasil representa a cultura brasileira. Existem trabalhos bel\u00edssimos que trazem muita informa\u00e7\u00e3o cultural, mas existem outros que s\u00f3 se justificam pela venda de brinquedos, games e outros produtos. N\u00e3o podemos esquecer que o mang\u00e1 \u00e9, antes de tudo, um meio de comunica\u00e7\u00e3o de massa e um estilo de hist\u00f3rias em quadrinhos. O japon\u00eas criou e consolidou um estilo de hist\u00f3rias em quadrinhos que passou a ser aceito no mundo inteiro. No entanto, nem todos os trabalhos de mang\u00e1 t\u00eam import\u00e2ncia cultural, muitos dos quais devem ser classificados apenas como entretenimento.<\/p>\n<p>Quanto ao tema, \u201cdo mang\u00e1 no Jap\u00e3o e no mundo\u201d, \u00c9 preciso colocar que, como o mang\u00e1 \u00e9 uma forma de entretenimento, concorre diretamente com outros tipos de entretenimento, como a TV; a Internet, os games e o cinema. Assim, \u00e9 necess\u00e1rio que evolua para continuar existindo. Todas as semanas, os editores japoneses ficam atentos \u00e0s pesquisas de opini\u00e3o junto aos leitores (encarte da pesquisa dentro do mang\u00e1) e os \u00faltimos colocados na vota\u00e7\u00e3o s\u00e3o convidados para acabarem com a hist\u00f3ria. Eles precisam captar o gosto do leitor naquele momento e produzir algo que garanta a vendagem daquela revista. Embora com alguns trope\u00e7os, os editores t\u00eam se sa\u00eddo bem. No entanto, criar uma hist\u00f3ria realmente nova est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil e \u00e9 ainda mais dif\u00edcil criar grandes estouros de vendagem.<\/p>\n<p>A necessidade de reciclar \u00e9 grande, e talvez a \u00fanica maneira de fazer isso seja trazer ingredientes de fora ou de outros pa\u00edses. Agradar ao p\u00fablico com uma hist\u00f3ria muito diferente das que eles est\u00e3o acostumados n\u00e3o constitui tarefa f\u00e1cil. De qualquer forma, se o mang\u00e1 continuar a ser uma forma de entretenimento barato, no Jap\u00e3o isso dever\u00e1 ocorrer por muito mais tempo.<br \/>\nNo exterior, o mang\u00e1 se mant\u00e9m em pa\u00edses onde as editoras locais investem no seu segmento. Ou seja, depois de lan\u00e7ar os best sellers do mang\u00e1, ou aqueles que vendeu bem no Jap\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio publicar tamb\u00e9m aqueles cuja vendagem n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o boa, enquanto n\u00e3o surgem outras hist\u00f3rias que possam estourar nas vendas.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, por exemplo, como todos os t\u00edtulos de mang\u00e1 best sellers j\u00e1 foram lan\u00e7ados, agora eles se det\u00eam em publicar os menos conhecidos, que com certeza ter\u00e3o menor vendagem. No Brasil, entre os fatores que prejudicam qualquer publica\u00e7\u00e3o, independentemente de ser quadrinhos ou n\u00e3o, est\u00e1 sua forma de distribui\u00e7\u00e3o. Como as bancas de jornais trabalham apenas por consigna\u00e7\u00e3o, recebendo 30% do valor de capa da revista vendida e devolvendo o que n\u00e3o \u00e9 vendido, eles preferem vender uma revista Cl\u00e1udia ou Playboy, que s\u00e3o mais caras e, portanto, d\u00e3o mais lucro do que uma revista de quadrinhos. Al\u00e9m disso, a pr\u00f3pria empresa de distribui\u00e7\u00e3o cobra para si mais 20% sobre o pre\u00e7o da capa, o que torna a atividade do editor bastante arriscada, uma vez que ele tem que investir no autor, na gr\u00e1fica e todo o resto, inclusive o custo de lidar com os encalhes que ocupam espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O editor divulga que a tiragem de sua revista \u00e9 de 200 mil exemplares, mas imprimiu 50 mil e vendeu somente 15 mil. Por isso, essas revistas custam muito caro e quase n\u00e3o h\u00e1 an\u00fancio publicit\u00e1rio pago em revistas de quadrinhos, o que poderia diminuir um pouco o pre\u00e7o da revista** e com isso atingir mais leitores.<\/p>\n<p>Quando a Abrademi come\u00e7ou em 1984, boa parte dos participantes era descendente de japoneses, que cresceram lendo o mang\u00e1 em japon\u00eas, e tinham adquirido conhecimento e os tra\u00e7os do mang\u00e1. Hoje, quem funda um grupo de mang\u00e1, na verdade, junta os f\u00e3s de desenhos animados da TV ou de games, e n\u00e3o propriamente f\u00e3s do mang\u00e1, das hist\u00f3rias em quadrinhos.<\/p>\n<p>De um modo geral, o Brasil perdeu a chance de produzir mang\u00e1, o que deveria ter ocorrido na d\u00e9cada de 1970 ou 1980. Jovens desenhistas que cresceram lendo mang\u00e1 n\u00e3o conseguiram publicar seu mang\u00e1 no Brasil e ingressaram nos Est\u00fadios Disney e Maur\u00edcio de Sousa, apesar de talentosos. Exemplo disso foi a editora Edrel, que nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970 diversas revistas de mang\u00e1 nacionais, que obtiveram bastante sucesso. Como essa editora era pequena e n\u00e3o tinha estrutura para crescer mais e nenhuma outra se interessou em mang\u00e1, nem brasileira nem japonesa, ficamos sem o mang\u00e1 nacional.<\/p>\n<p>Depois que os desenhos animados japoneses fizeram sucesso na TV, na d\u00e9cada de 1990, as editoras decidiram correr atr\u00e1s, publicando os mang\u00e1s exibidos na TV ou que fizeram sucesso em outros pa\u00edses. Essas editoras n\u00e3o se preocuparam em desenvolver um trabalho nacional. Hoje, o pseudo mang\u00e1 dificilmente ser\u00e1 aceito no Brasil. No mundo inteiro n\u00e3o deu certo, exceto na Coreia do Sul, onde existem v\u00e1rias revistas de boa tiragem publicando os mang\u00e1s japon\u00eas e coreanos.<\/p>\n<p>Essa mesma situa\u00e7\u00e3o ocorre com a f\u00e1brica de brinquedos. No Jap\u00e3o, antes de um desenho animado ser produzido, antes de come\u00e7ar, os contratos s\u00e3o assinados e quando o desenho \u00e9 lan\u00e7ado os brinquedos chegam \u00e0s prateleiras. Assim, um ajuda o outro e todos saem ganhando. No Brasil, as f\u00e1bricas de brinquedos s\u00f3 se interessam quando o desenho faz muito sucesso e quando resolvem lan\u00e7ar um brinquedo, a burocracia para registro, modelagem e outros entraves acabam retardando o processo, enquanto os contrabandistas j\u00e1 ocuparam todo o espa\u00e7o, e o anim\u00ea em quest\u00e3o j\u00e1 saiu do ar.<br \/>\n<strong>Extra\u00eddo do livro \u201cCultura Pop Japonesa\u201d, Editora Hedra, Prof\u00aa Dra. Sonia B. Luyten, artigo de Francisco Noriyuki Sato.<\/strong><\/p>\n<p><em>** A revista semanal Shonen Jump \u00e9 vendida no Jap\u00e3o, em 2013, a 250 ienes (J\u00e1 com imposto), o que equivale a R$ 5,97 (cota\u00e7\u00e3o de 02\/9\/2013). Vale lembrar que a Shonen Jump tem em m\u00e9dia 470 p\u00e1ginas e 23 mang\u00e1s. Um dos grandes atrativos do mang\u00e1 certamente \u00e9 o seu pre\u00e7o baixo. Por isso, apesar de todas as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas surgidas nos \u00faltimos anos, a edi\u00e7\u00e3o impressa consegue vender uma m\u00e9dia de 2,8 milh\u00f5es de exemplares todos os meses.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(<a href=\"https:\/\/www.abrademi.com\/?page_id=1023\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">continua&#8230;<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pede-se sempre citar a fonte ao utilizar essas informa\u00e7\u00f5es: Site: abrademi.com, com texto extra\u00eddo do livro \u201cCultura Pop Japonesa\u201d, Editora Hedra, da Prof\u00aa Dra. Sonia B. Luyten, no artigo de Francisco Noriyuki Sato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Abrademi (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Desenhistas de Mang\u00e1 e Ilustra\u00e7\u00f5es), fundada em fevereiro de 1984,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","template":"","meta":{"spay_email":""},"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/P4elUM-8j","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/515"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=515"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/515\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2570,"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/515\/revisions\/2570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.abrademi.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}