Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações |
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| Mangá News | 16 /
03 / 2006 |
| Os Primeiros
Mangás Brasileiros |
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Numa
época em que o mangá
era praticamente desconhecido no ocidente, jovens desenhistas nisseis
conquistavam espaço no pequeno mercado editorial brasileiro,
demonstrando
claramente a influência recebida do mangá. Um desses
nisseis é Cláudio
Alberto Chuji Seto Takeguma, ou Cláudio Seto, um dos mais
ativos, nasceu em
1944 e iniciou sua carreira no final da década de 60, ainda
morando na cidade
paulista de Guaiçara, onde se elegeu vereador graças a
sua liderança na
associação nipo-brasileira local. O estilo
de Seto, embora
variado, é inconfundível. Algumas histórias
receberam forte influência de
Shirato Sampei, prestigiado autor de “Lenda do Kamui”, com quem se
correspondia, outras de Monkey Punch, outro desenhista japonês,
que ficou conhecido
por “Lupin Sansei” , mas seus trabalhos também demonstravam
muita pesquisa e
técnicas inovadoras feitas em laboratório, criando
efeitos psicológicos
admiráveis. Na Editora
Edrel, onde
iniciou, Seto produziu de tudo: infantis como “Ninja” e “Flavo”,
épicos como
“Samurai”, adultos como “Maria Erótica”, além de
anti-heróis como “Mata-Sete”,
estórias psicológicas e até foto-novelas. Com o
fechamento da Edrel no
meio da década de 70, Seto mudou-se para Curitiba, onde, em 79,
conseguiu
convencer cafeicultores proprietários de uma editora, a
Grafipar, a lançarem
quadrinhos. A Grafipar foi o berço de muitos dos desenhistas
atuais. Como
editor, Seto cuidava de tudo e ainda desenhava com muita velocidade,
lançando
principalmente quadrinhos eróticos, aproveitando a pequena
abertura dada pela
censura. Dividindo
seu tempo entre
ilustração de jornal e a direção da
gibiteca de Curitiba, Seto é atualmente um
artista plástico respeitado no Paraná. O seu
último trabalho na área de mangá,
e também o último mangá feito no Brasil, foi “A
Filosofia do Samurai na
Administração Japonesa”, com roteiro de Noriyuki e
participação de Roberto
Kassumoto. Da mesma
geração de Seto,
Fernando Ikoma foi outra grande revelação da
época. Natural de Martinópolis, em
68 ingressou na área de quadrinhos, publicando na Edrel, e
montando seu estúdio
em São Paulo. Segundo
Kimio Shimizu, que
trabalhou com ele nessa época, Ikoma era o artista completo,
pois escrevia,
desenhava, letreirava e artefinalizava sozinho mais de 120
páginas por mês. Ikoma
escrevia tramas
ocidentais mas diferente dos super-heróis americanos. Seus
personagens possuíam
características psicológicas próprias, como “Maria
Esperançosa”, que sempre
procurou um marido, e o herói “Fikom”, que aparecia no sonho de
um anti-herói. Nos
últimos anos da Edrel,
Ikoma mudou-se para Curitiba e lá se revelou um grande artista
plástico, com
uma invejável programação de
exposições individuais, mas seus traços com
visível influência do mangá nunca mais foram vistos. Com a
retirada de Ikoma,
Kimio Shimizu mudou-se para Guaiçara, onde foi trabalhar na
equipe de Cláudio
Seto. Com o fechamento da Edrel, Kimio foi para Editora Abril, mais
tarde
colaborou na Grafipar, e hoje dirige uma editora própria. Trajetória
semelhante
tiveram os irmãos Paulo e Roberto Fukue. Depois da Edrel foram
para Abril e até
hoje continuam na área de desenho. Roberto Fukue é o
desenhista de “Seninha”
lançada pela Abril. Entre
outros nisseis que
chegaram a desenhar no estilo mangá está Minami Keizi que
ficou conhecido pelo
seu personagem “Tupanzinho”. Na
década de 70, as Editoras
Bloch, Vecchi, Noblet, Ebal, Ondas e Grafipar passaram a publicar o
quadrinho
nacional, mas poucos nikkeis se despontaram e esses não
desenhavam mangá, com
exceção dos veteranos Julio Shimamoto, autor da revista
Kiai, e Cláudio Seto,
que relançou “Maria Erótica” e outros personagens no
estilo mangá. Dez anos
mais tarde, uma
nova onda do quadrinho nacional deu oportunidade a editoras como a
Maciota e a
Nova Sampa, que por sua vez deram chance a desenhistas novos como Luri
Maeda e
Neide Nakasato, que receberam influência do mangá feminino.
Autor:
Francisco Noriyuki
Sato Texto
publicado em
17/05/1994 pelo Diário Nippak. AO USAR
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FONTE www.abrademi.com – Francisco
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