Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações |
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| Mangá News | 16 /
03 / 2006 |
| O Mangá e o
Papel da Abrademi |
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A Abrademi (Associação
Brasileira de Desenhistas de
Mangá e Ilustrações), fundada em fevereiro de
1984, foi a primeira associação
desse gênero do Brasil. Hoje, devem existir no país
quinhentos grupos atuantes
de mangá, se consideramos pequenos grupos que se reúnem
só para fazer fanzine.
Até hoje, a Abrademi deve ser a única
instituição legalizada, registrada e com
estatuto próprio,
ou seja, estruturada para continuar seu trabalho por muito mais tempo. Na época de sua
fundação,
já existiam grupos de admiradores de mangá em São
Francisco, nos Estados
Unidos, na Itália e na França, além dos
países do Oriente, mais próximos do
Japão e, portanto, mais influenciados cultural e comercialmente. Hoje existem muito mais
grupos no mundo inteiro. No Abrademi Contest, concurso de desenho de
mangá
promovido pela Abrademi e realizado em 1999, conseguimos
divulgação em uma
revista da Alemanha e tivemos mais participantes da Alemanha do que do
Estado
de São Paulo inteiro. Apesar da pequena divulgação
lá fora, recebemos trabalhos
da França, Inglaterra, Itália, Estados Unidos, Espanha,
Portugal, Áustria,
Polônia, Rússia, Suíça, Panamá,
Japão, Coréia e países da América do Sul. Com o aumento do número de
pessoas produzindo mangá, surgiram vários grupos de
mangá. Por isso,
efetivamente existem hoje milhares de grupos de mangá fora do
Japão. No entanto, mesmo no Japão,
os grupos de mangá não costumam durar mais que cinco anos. O motivo é bem simples. No
Japão, se o objetivo do grupo era desenhar mangá como
passatempo, com o
ingresso de seus membros no concorrido mercado de trabalho,
independentemente
da área profissional, o tempo destinado a desenhar ou apreciar o
mangá diminui.
É provável que eles continuem lendo o mangá, mas
não terão tempo para se reunirem
como antes. E se o objetivo era se tornar um profissional de
mangá, quando
alcançado, o grupo não será mais importante. Em outros países a
situação
é parecida. Como é impossível viver exclusivamente
do mangá, o grupo se
dispersa com o passar do tempo. No Brasil, diante das
condições econômicas e da dificuldade de encontrar
um emprego, quando um grupo
resolve fazer um fanzine, já há alguém interessado
em trabalhar
profissionalmente com o mangá. Essa expectativa se frustra e o
grupo se
dissolve. Só continuam lidando com o
mangá aquelas pessoas que encontram algum meio de sobreviver
dentro do mangá, seja trabalhando como diagramador em uma
editora ou abrindo
uma lojinha de fitas piratas. De qualquer forma, não é
possível afirmar que
essas pessoas estejam apreciando o mangá como cultura. Devemos lembrar que nem
todo o mangá significa cultura japonesa, assim como nem toda
música produzida
no Brasil representa a cultura brasileira. Existem trabalhos
belíssimos que
trazem muita informação cultural, mas existem outros que
só se justificam pela
venda de brinquedos, games e outros produtos. Não podemos esquecer que o
mangá é, antes de tudo, um meio de
comunicação de massa e um estilo de
histórias em quadrinhos. O japonês criou e consolidou um
estilo de histórias em
quadrinhos que passou a ser aceito no mundo inteiro. No entanto, nem
todos os
trabalhos de mangá têm importância cultural, muitos
dos quais devem ser
classificados apenas como entretenimento. Quanto ao tema,
"Evoluções do mangá no Japão e no mundo",
é preciso colocar que, como
o mangá é uma forma de entretenimento, concorre
diretamente com outros tipos de
entretenimento, como a TV; a Internet, os games e o cinema. Assim,
é necessário
que evolua para continuar existindo. Todas as semanas, os editores
japoneses
ficam atentos às pesquisas de opinião junto aos leitores
(encarte da pesquisa
dentro do mangá) e os últimos colocados na
votação são convidados para
concluírem a história. Eles precisam captar o
gosto do leitor naquele momento e produzir algo que garanta a vendagem
daquela
revista. Embora com alguns tropeços, os editores têm se
saído bem. No entanto,
criar uma história realmente nova está cada vez mais
difícil e ainda mais criar
grandes estouros de vendagem. A necessidade de reciclar é
grande, e talvez a única maneira de fazer isso seja trazer
ingredientes de fora
ou de outros países. Agradar o público com uma
história muito diferente das que
ele está acostumado não constitui tarefa fácil. De
qualquer forma, se o mangá
continuar a ser uma forma de entretenimento barato, no Japão
isso deverá
ocorrer por muito mais tempo. No exterior, o mangá se
mantém em países onde as editoras investem no seu
segmento. Ou seja, depois de
lançar os best sellers do mangá, é
necessário publicar também aqueles cuja vendagem
não é tão boa, enquanto não surgem outras
histórias que possam estourar nas
vendas. Na França, por exemplo,
como todos os títulos de mangá best sellers já
foram lançados, agora eles se
detêm em publicar os menos conhecidos, que com certeza
terão menor vendagem. No Brasil, entre os fatores
que prejudicam qualquer publicação, independente de ser
quadrinhos ou não, está
sua forma de distribuição. Como as bancas de jornais
trabalham apenas por
consignação, recebendo 30% do valor de capa da revista
vendida e devolvendo o
que não é vendido, eles preferem vender uma revista Cláudia
ou Playboy,
que são mais caras e, portanto, dão mais lucro
do que uma revista de
quadrinhos. Com isso, as revistas mais caras e mais procuradas ficam em
locais
mais visíveis. O editor divulga que a
tiragem de sua revista é de 200 mil exemplares, mas imprimiu 50
mil e vendeu
somente 15 mil. Por isso, essas revistas custam muito caro e quase
não há
anúncio publicitário pago em revistas de quadrinhos, o
que poderia diminuir um
pouco o preço da revista e com isso atingir mais leitores. Quando a Abrademi começou
em 1984, boa parte dos participantes era descendente de japoneses, que
cresceram lendo o mangá em japonês, e tinham adquirido
conhecimento e os traços
do mangá. Hoje, quem funda um grupo de mangá, na verdade,
junta os fãs de
desenhos animados da TV ou de games, e não propriamente
fãs do mangá, das
histórias em quadrinhos. De um modo geral, o Brasil
perdeu a chance de produzir mangá, o que deveria ter ocorrido na
década de 1970
ou 1980. Jovens desenhistas que cresceram lendo mangá não
conseguiram publicar
seu mangá no Brasil e ingressaram nos Estúdios Disney e
Maurício de Sousa,
apesar de talentosos. Exemplo disso foi a editora Edrel, que nas
décadas de
1960 e 1970 lançou diversas revistas de mangá nacionais,
que obtiveram bastante
sucesso. Como essa editora era pequena e não tinha estrutura
para crescer mais
e nenhuma outra se interessou em mangá, nem brasileira nem
japonesa, ficamos
sem o mangá nacional. Essa mesma situação ocorre
com a fábrica de brinquedos. No Japão, antes de um
desenho animado ser
produzido, antes de começar, os contratos são assinados e
quando o desenho é
lançado os brinquedos chegam às prateleiras. Assim, um
ajuda o outro e todos
saem ganhando. No Brasil, as fábricas de brinquedos só se
interessam quando o
desenho faz muito sucesso e quando resolvem lançar um brinquedo,
os
contrabandistas já ocuparam todo o espaço. AO USAR
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