A
moçada no Brasil hoje pode não se lembrar ou nem
saber quem foi Osamu Tezuka. Grande pecado. Aquilo que hoje conhecemos
como mangá e animê não existiria, se não
fosse o maior dos criadores japoneses de quadrinhos e animação.
Osamu Tezuka é o "divisor de águas" da
história do mangá e do animê. Nascido na cidade
de Osaka em 1926 , filho de uma família de classe média,
ele logo revelou uma forte tendência para criar histórias
e desenhar. Suas grandes influências vinham das tiras cômicas
que eram publicadas nos jornais e dos desenhos animados do pioneiro
Walt Disney. Aos 13 anos, ele já desenhava quadrinhos cômicos
para seus colegas de escola. Mas a adolescência de Tezuka,
ao invés de alegre e despreocupada, foi marcada pela 2a.
Guerra Mundial.
Idealista, o jovem Tezuka resolveu entrar na Faculdade de Medicina
- sua "forma pessoal" de tentar compensar a dor da morte
de amigos e colegas nas batalhas da guerra, procurando curar e
salvar em tempos de violência. Mas antes mesmo de se formar,
Tezuka já estava publicando seus quadrinhos em jornais.
Com o fim da guerra e a derrota japonesa, vieram tempos de grande
pobreza e dificuldades. Nessa época, Tezuka resolve se
tornar desenhista. Enfrentando a fome e a escassez de meios, como
de tinta e papel, ele começa a criar histórias cheias
de humanidade, fantasia e mensagens de otimismo. |

TEZUKA esteve
no Brasil em setembro de 1984, abrindo uma exposição
organizada pela ABRADEMI no MASP e chegou a dar uma aula de mangá
especialmente para os associados. Trazido pela Fundação
Japão, Tezuka orientou os diretores da ABRADEMI quanto
a direção que a entidade deveria seguir, o que foi
feito à risca. Analisando trabalhos de profissionais e
amadores, o "Deus" do mangá mostrou caminhos
para melhorá-los, e apesar da sua vasta experiência
e conhecimento de mangá e animê, jamais falou mal
de qualquer trabalho.
Na foto, Tezuka com o então presidente da ABRADEMI, Noriyuki. |
Em 1946, ele cria seu primeiro "best-seller": Shin Takarajima
(A Nova Ilha do Tesouro) - uma história em quadrinhos na forma
de storyboard de desenho animado, misturando pela primeira vez elementos
da linguagem cinematográfica aos quadrinhos, algo que se tornou
a característica do mangá moderno.
Poucos anos depois, Tezuka começaria a publicar as séries
que marcaram gerações de crianças e jovens japoneses:
Jungle Taitei (Kimba, o Leão Branco) em 1950; Tetsuwan Atomu
(Astro Boy) em 1952; Ribon No Kishi (A Princesa e o Cavaleiro) em 1953,
definindo com personagens magros e olhos grandes e brilhantes o estilo
hoje conhecido como shõjo mangá, Hi No Tori (O Fênix)
em 1967 e Black Jack em 1973. Em 1963, Tezuka finalmente realizou seu
sonho de produzir animação em série no Japão,
com a estréia na TV da versão em animê de Tetsuwan
Atomu, realizada por sua própria produtora, a Mushi Productions.
Em 1964, Tezuka se tornou o primeiro produtor de animê a exportar
uma série para o exterior, quando Tetsuwan Atomu (Astro Boy)
passou a ser exibida nos Estados Unidos.
Pioneiro em tudo que hoje chamamos de mangá e animê e criador
incansável, Tezuka mal parava para comer para não desperdiçar
tempo de trabalho. Em 1984, Tezuka esteve no Brasil, onde fez várias
exposições e visitou o país, encantando-se com
um personagem típicamente nosso - o rústico cangaceiro.
Entretanto, seus péssimos hábitos alimentares o levaram
a adoecer pouco tempo depois, quando desenvolveu um câncer no
estômago. Mesmo debilitado e hospitalizado, Tezuka continuou desenhando,
até falecer em fevereiro de 1989. Milhares de pessoas compareceram
ao seu funeral em Tokyo e o Japão inteiro chorou sua perda. Premiado
e reconhecido internacionalmente, até hoje os japoneses e fãs
de mangá e animê no mundo inteiro se referem a ele com
o título de "Mangá no Kamisamá" (o Deus
do Mangá).
Antes de Tezuka, os personagens de mangá não tinham olhos
grandes e o animê mal existia. Depois dele, a história
cultural do Japão mudou para sempre. Hoje, a obra de Tezuka permanece
viva através de um museu e de sua produtora, dirigida por seu
filho.
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