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As armaduras dos
“Cavaleiros do Zodíaco”
Quando o criador de
“Cavaleiros
do Zodíaco”, Masami Kurumada, decidiu criar as famosas armaduras
de seus
personagens (que apesar de serem de metal, são vivas),
provavelmente não
imaginava o impacto que sua idéia teria. Só ele poderia
imaginar que um
caranguejo pudesse ser dividido em peças dobráveis, que
se abrem e esticam para
poder vestir uma pessoa como uma armadura rígida, mas que
não prejudicaria os
movimentos. Na Grécia Antiga, acreditava-se que Atena, a deusa
da sabedoria,
era também uma deusa guerreira, mas ela era protetora só
da guerra defensiva.
Ela teria nascido da
cabeça de
Zeus, já usando uma armadura completa, que incluía um
elmo (capacete), uma
lança e um escudo, feitas pelo deus Hefesto, o construtor e
armeiro dos deuses.
Histórias sobre armaduras não faltam. Elas foram
fabricadas durante muitos
séculos, tanto no ocidente como no oriente.
No Japão, por
exemplo, máscaras
com expressões aterrorizantes também faziam parte das
armaduras, para meter
medo nos oponentes. E na Europa as armaduras cobriam o corpo inteiro
com metal
e eram cheias de encaixes complicados que tornavam possível o
movimento, meio
lento, é verdade... Foi nas armaduras acidentais que o criador
dos Cavaleiros
se inspirou para fazer as incríveis “couraças” de seus
personagens. Mas o que
parecia apenas um exercício muito radical de criatividade e
engenhosidade de um
artista meio louco, era algo extremamente viável para a Bandai,
um dos maiores
fabricantes de brinquedos japoneses. Baseado nos próprios
desenhos de Kurumada,
técnicos da Bandai desenvolveram protótipos dos bonecos
que hoje são disputados
por crianças no mundo inteiro, provando que a
imaginação de Kurumada podia ser
concretizada. O ilustrador e escultor paulista Olyhtho Tahara,
também levou a
sério a idéia e criou uma série de cinco
estátuas dos cavaleiros: Seiya de
Pégaso, Shun de Andrômeda, Shiryu de Dragão, Hyoga
de Cisne e Ikki de Fênix.
Elas foram expostas no Centro de Criatividade de Curitiba: “Na hora
pensei em
fazer um trabalho meramente estético, mas enquanto eu ia fazendo
as esculturas,
percebi que os movimentos dos braços e das pernas dos
personagens ficavam
livres. A coisa não é tão maluca quanto parece”,
comentou Tahara, que é
engenheiro formado pela USP e membro da Assoc. Brasileira de
Desenhistas de
Mangá e Ilustrações (ABRADEMI). Foi de um acordo
feito entre a Bandai, Masami
Kurumada e a produtora e distribuidora Toei Animation que nasceu a
série de
desenho animado para TV, Cavaleiros do Zodíaco, em 1987. Os
bonecos
desenvolvidos pela Bandai rapidamente caíram no gosto infantil,
isso porque
reproduzem com fidelidade as características das armaduras e dos
heróis de
Kurumada. Caprichando nos detalhes, a empresa chegou a ponto de fazer
as
armaduras de brinquedo com metal de verdade. Fora do corpo do boneco,
as peças
das armaduras podem ser reencaixadas umas nas outras, formando uma
estatuetinha
do símbolo zodiacal ou da constelação que protege
a personagem. Não é demais?
Esta influência do fabricante de brinquedos é mais
visível na primeira fase da
série, quando as armaduras dos personagens principais tiveram
que ser
redesenhadas para se parecerem mais com os brinquedos. As chamadas
“armaduras
novas” da série em desenho animado, na verdade são as que
Kurumada criou
originalmente nos quadrinhos. É inegável que as armaduras
ainda exercem um
grande fascínio, mesmo em desenho animado ou em brinquedo.
Até Batman e Robin
hoje se apresentam com os corpos cobertos por uma “casca
rígida”. O sucesso é
garantido até hoje! Ninguém pensa em “descascar” nossos
heróis, não é mesmo?
Cristiane A. Sato
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