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Associação Brasileira de Desenhistas de Mangá e Ilustrações
São Paulo e Rio de Janeiro Mangá, Animê e Cultura Japonesa Desde - 1984
   São Paulo, 17 de março de 2006 - nº 78
Editor: A.N.Y.  
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8º Festival do Japão

Nos dias 15, 16 e 17 de julho de 2005, ocorreu o VIII Festival do Japão, no Centro de Exposições Imigrantes em São Paulo. Organizado pela Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil, com apoio do Consulado Geral do Japão em São Paulo e da Fundação Japão, este ano o evento teve como tema principal "Mangá e Animê". Concebido para ser uma ampla experiência do que o Japão tem de típico em cultura, culinária e produtos, o evento atraiu 150 mil pessoas ao Centro Imigrantes, o que causou enorme congestionamento na Rodovia dos Imigrantes e nas avenidas Bandeirantes e Ricardo Jafet, principais vias de acesso da zona sul de São Paulo.

festivalNa área cultural, foram montados estandes que abrangeram temas como a cerimônia do chá, a confecção tradicional de pipas gigantes, a caligrafia tradicional, a fabricação dos sofisticados papéis washi, as especialidades de Okinawa e muitos outros assuntos. Empresas nipo-brasileiras e japonesas também se fizeram presentes. As gigantes Toyota, Honda e Panasonic fizeram lançamentos de seus podutos. Uma ampla e variada praça de alimentação com especialidades de províncias do Japão (muitos pratos que não se encontram em restaurantes) atraíram enorme interesse. No palco principal, houve várias apresentações de danças folclóricas, grupos de taiko e de yosakoi soran, misto de dança tradicional com música de ritmo pop que está atraindo a moçada. Filas e congestionamento de gente no evento foram inevitáveis.

Convidada pela organização para promover as atividades-tema do evento, a ABRADEMI ocupou um estande de 200m2. Sob o tema "nostalgia", montamos uma exposição com painéis de animês e séries live-action que fizeram mesmo quem não é fã voltar à infância, com as músicas-temas dessas séries tocando de fundo. Estando numa área elevada, reservamos parte do estande para usar como um palco secundário, onde o Grupo Teatral Hokage, o Grupo Zen Taiko e hokageos campeões de yoyo extreme da Associação Brasileira de Ioiô se revezaram em várias apresentações e arrasaram. As editoras Conrad e JBC montaram pontos de venda em nosso estande, ao lado da Brincos de Origami (novidade interessante: minúsculos origamis rígidos e brilhantes montados na forma de brincos). Workshops de desenho clássico e de mangá foram ministrados pelos professores da Escola Atelier, e quem quisesse ter uma caricatura de si bastava posar por alguns minutos para os desenhistas da Japan Sunset. Os mágicos do Oriental Magic Show deram uma apresentação bastante aplaudida pelo público, que adorou ser iludido.

Nos poucos intervalos entre uma atração e outra, fizemos mostras de vídeo para demonstrar a qualidade da nova linha de equipamentos da Panasonic Home Theater, DVD e Flat TV LCD 50" (deu medo de perguntar quanto custava aquilo tudo). Mesmo com toda a movimentação e barulho no estande, grupos se formaram diante do imponente sistema. Dos muitos clipes apresentados, o que parece ter agradado mais, curiosamente, foi o da série live-action da "Sailor Moon". Adultos e crianças paravam para assistir (é preciso considerar que no Festival o público é majoritariamente de famílias e pessoas normais). Montamos um balcão de 3 metros para atender dúvidas, dar informações e distribuir folhetos: divulgação dos DVDs dos "Cavaleiros" e "Yu Yu Hakusho", e do filme "Castelo Animado" o último longa de Hayao Miyazaki. A Daniela, a Célia, o Allen, a Adriana e a Andrea, entre outros, atenderam o público durante o evento.

No auditório principal foram feitas palestras e um debate. Sonia Luyten, além de falar sobre mangá, também promoveu o livro "Cultura Pop Japonesa: Mangá e Animê", compilação de palestras e debates realizados no I Seminário Internacional de Cultura Pop Japonesa - Fórum Mangá, organizado pela Sonia em 2003 em Santos. Cristiane Sato falou sobre animê e coordenou um debate sobre a animação atual com os diretores Walbercy Ribas (conhecido diretor de animação na publicidade brasileira, produtor de "O Grilo Feliz") e Megumu Ishiguro (diretor de animação japonês, responsável pelo estúdio Dõga Kobo), que veio ao Brasil através da Fundação Japão promover o primeiro longa-metragem produzido por seu estúdio, "Kahei no Umi" (O Mar de Kahei), inspirado num livro sobre a história real de Kahei, líder de uma comunidade de pescadores em Hokkaido no final do séc. XVIII, época na qual a Rússia já disputava territórios com o Japão. O animê foi exibido antes do debate.
 walbercy

No último dia, um vendaval causou alguns estragos no evento, chegando a derrubar um grande torii cenográfico que foi instalado na entrada do Centro Imigrantes. A ventania abalou as divisórias de vários estandes, inclusive o nosso. Decidimos retirar o material exposto nas divisórias e desmontá-las antes que alguém se machucasse. Excetuando este contratempo, tudo correu bem, mas este final feliz não foi obra do acaso. Quando literalmente várias divisórias ameaçavam voar, dezenas de jovens voluntários formaram paredes humanas segurando as divisórias e dirigiram o público para locais protegidos. Agradecemos a todos que nos ajudaram, naquela hora e durante todo o evento, em especial ao Alexandre Sonoki, o Daniel Takaki e o Fausto Shiraiwa, líderes do "Seinen Liberdade" que coordenaram os voluntários no Festival do Japão.

O estande da ABRADEMI foi certamente o lugar mais fotografado de todo o evento, mas um único ítem ganhou o título de campeão de fotos do Festival: o boneco em tamanho real do Ultraman. Nós o instalamos num lugar que por si já chamava enorme atenção - no meio do topo da arquibancada central, onde montamos nosso palco, como se ele estivesse poderosamente observando todo o resto do evento a seus pés. Formavam-se filas para tirar uma foto ao lado do Ultraman. Ele vivia cercado de gente - visto de longe, parecia uma celebridade. Foi divertido observar a reação das pessoas. Teve gente abraçando e beijando o boneco. Maior barato!



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